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70% dos Bancos no Brasil Priorizam a Detecção de Fraudes em Tempo Real

70% dos bancos brasileiros priorizam a detecção de fraudes em tempo real, com IA e biometria comportamental.

por Renato Mattos

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Profissional de segurança digital em um escritório corporativo analisando um mapa global de transações financeiras na tela do computador para a detecção de fraudes em tempo real.

A detecção de fraudes em tempo real já está entre as prioridades de 70% dos bancos brasileiros. O dado faz parte de um levantamento global da BioCatch, que aponta o Brasil como uma referência internacional no combate à fraude autorizada, especialmente pelo avanço do uso de inteligência artificial e biometria comportamental.

Esse cenário está diretamente ligado à popularização de transações instantâneas, como o Pix. Afinal, quando uma transferência acontece em poucos segundos, identificar uma operação suspeita também precisa acontecer rapidamente.

Além disso, o desafio ficou mais complexo. Em muitos golpes, o criminoso não precisa assumir o controle da conta: ele convence o próprio cliente a realizar a transferência.

Por que os bancos brasileiros estão investindo mais em IA?

A inteligência artificial já ocupa um espaço relevante nas estratégias de segurança das instituições financeiras brasileiras.

Segundo o levantamento, 83% dos bancos do país consideram seus modelos de IA consolidados e eficazes para identificar anomalias. O percentual supera a média global, que chega a 72%.

No entanto, o diferencial brasileiro não está apenas na capacidade de identificar comportamentos fora do padrão. As instituições também estão direcionando atenção para a intenção por trás das operações.

O que é análise de intenção?

A análise de intenção procura entender o contexto em que uma transação acontece. Isso é especialmente importante nos golpes de engenharia social, nos quais a vítima é manipulada e acaba autorizando a operação por conta própria.

Cerca de 43% dos líderes brasileiros priorizam a integração dessa capacidade aos sistemas de segurança. No restante do mundo, o percentual é de 27%.

Assim, a tecnologia deixa de analisar somente se a transação foi autenticada pelo cliente e passa a buscar sinais que indiquem se ele estava sendo conduzido por um terceiro.

Como a biometria comportamental ajuda a identificar golpes?

Os mecanismos tradicionais de autenticação enfrentam uma dificuldade quando o próprio cliente autoriza a transação fraudulenta.

Nesse caso, não necessariamente houve roubo de credenciais ou invasão da conta. A vítima pode estar utilizando normalmente seu dispositivo e realizando a operação com suas próprias credenciais.

Por isso, a análise comportamental ganha importância. Ao observar o padrão de navegação do usuário, os sistemas podem identificar comportamentos que indiquem uma possível interferência externa.

Como identificar uma transferência feita sob manipulação?

Um exemplo é quando o cliente permanece ao telefone com um estelionatário enquanto realiza uma transferência.

Embora a autenticação confirme que foi o próprio usuário quem realizou a operação, o comportamento apresentado durante a navegação pode revelar sinais de que aquela decisão está sendo influenciada por outra pessoa.

Dessa forma, os sistemas passam a considerar não apenas quem fez a transação, mas também como aquela transação foi realizada.

Qual é o principal desafio no uso da IA contra fraudes?

O avanço da inteligência artificial não significa que todos os desafios de segurança estejam resolvidos.

De acordo com o levantamento, 60% dos executivos procuram proteger suas operações utilizando IA. Ao mesmo tempo, esse mesmo percentual considera a personalização da segurança o maior obstáculo do setor.

Portanto, além de adotar novas tecnologias, as instituições precisam encontrar maneiras de adaptar a proteção ao comportamento e ao contexto de cada operação.

O que acontece com os clientes depois de uma fraude?

Uma fraude pode gerar consequências que vão muito além do prejuízo financeiro da transação.

O levantamento mostra que aproximadamente 62% dos bancos brasileiros acompanham a perda de clientes após uma fraude apenas de maneira informal. Ou seja, não existe uma medição estruturada desse impacto em grande parte das instituições.

Por que a evasão de clientes precisa ser medida?

Segundo Diego Baldin, diretor de Global Advisory da BioCatch para a América Latina, vítimas de golpes podem diminuir o uso da conta ou até escolher uma instituição concorrente.

Quando esse comportamento não é mensurado adequadamente, o banco perde uma parte importante da dimensão real do problema.

Afinal, além do valor perdido diretamente com a fraude, existe o custo de perder um cliente. Sem métricas rigorosas, porém, essa consequência pode não aparecer nos cálculos utilizados para avaliar o retorno dos investimentos em segurança.

REVIIV INSIGHTS

A velocidade do Pix ajudou a transformar o Brasil em um ambiente avançado para o desenvolvimento de soluções de segurança digital. Entretanto, o desafio atual não está apenas em bloquear invasores ou identificar atividades suspeitas.

Também é preciso proteger o cliente quando ele próprio está sendo manipulado.

Nesse contexto, medir os efeitos de uma fraude sobre a relação com o cliente se torna tão importante quanto impedir a operação. Quando a instituição não acompanha de forma estruturada o cancelamento de contas e a redução do uso dos serviços, pode acabar subestimando o impacto financeiro da fraude.

Em um mercado competitivo, portanto, combater golpes também significa preservar a confiança do usuário e reduzir o risco de que uma experiência negativa faça esse cliente procurar outra instituição.

Conclusão

A detecção de fraudes em tempo real ganhou importância entre os bancos brasileiros à medida que as transações instantâneas se tornaram parte da rotina financeira.

Nesse cenário, inteligência artificial e biometria comportamental permitem ampliar a análise para além da autenticação tradicional. Em especial, a análise de intenção ajuda a enfrentar golpes nos quais o próprio cliente autoriza uma operação depois de sofrer manipulação.

Ao mesmo tempo, as instituições ainda precisam avançar na personalização da segurança e na mensuração da perda de clientes após uma fraude.

Por isso, a proteção contra golpes precisa considerar tanto a operação financeira quanto a experiência do usuário. Afinal, preservar a confiança do cliente também faz parte da estratégia de segurança.

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